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A Vida Grata de Asher

“Uma vida curta não é necessariamente pior do que uma longa”, disse ele. “É simplesmente diferente”.


Asher, 7 anos de idade, do banco de trás do carro no bairro do Brooklyn, Estados Unidos:

“Papai, Deus é um sentimento, como amor – ou ele é uma pessoa?”

Michael: o que você acha?

Asher: Eu acho que é igual chocolate na sua boca.

Michael: como assim?

Asher: você sabe como um pedaço de chocolate é duro no meio, e se você ficar com ele na sua boca um tempo, ele se torna macio ao redor das bordas?

Michael: Sim.

Asher: Eu acho que Deus é assim. No centro é um ser sábio. Então se transforma em amor por completo.

Assim era Asher: pensativo, original, claro como cristal. Ele se mudou de onde vivíamos para ganhar bolsas de estudo em Hotchkiss e Harvard. Ele estudou Línguas, Comédia, viajou bastante e decidiu ser advogado para seguir sua paixão pelos direitos dos detentos. Ele tinha uma prática budista, mas também escreveu: “Meu coração me atraiu várias vezes para o Catolicismo, o Universalismo Unitário e certos ramos do Judaísmo”. Um dia falamos para ele sobre o site gratefulness.org, o qual ele adorou. Ele compartilhou o site com seus amigos da faculdade, e muitas vezes imitando a voz do Irmão David no vídeo, “Um bom dia”: “Olhe para o céu”, conversava com um amigo que mostrava ansiedade sobre um relacionamento amoroso, um exame próximo ou o significado da existência, “raramente olhamos para o céu.” Asher olhava muito para o céu. Sua tese de honra da faculdade foi escrita em francês, sobre o costume medieval de compor cartas de amor ao amanhecer.

Perto da formatura, Asher desenvolveu um tumor raro. Ele foi informado de que não poderia ficar curado dessa doença. Ele passava o tempo que tinha com otimismo, amizade, gratidão – e gerou essas qualidades em todas as pessoas que encontrava. Fomos constantemente surpreendidos com o pouco que ele se identificou em ser um paciente. Ele sofreu de corpo e alma, mas continuou voltando para o mundo, para os outros, para o humor, sempre em seu próprio estilo.

Logo depois da notícia de que seu câncer era maligno e que poderia morrer em breve, ouvimos ele ao telefone com seu irmão mais novo: “Uma vida curta não é necessariamente pior do que uma longa”, disse ele. “É simplesmente diferente”.

A quimioterapia de Asher causava náuseas, e viajávamos para todos os lugares levando sacos de vômito de plástico azul do hospital. Certa vez, quando estávamos dirigindo entre o hospital e nossa casa, Asher teve que vomitar em um desses sacos. Ele olhou disfarçadamente e logo depois disse na voz de Irmão David: “Olhe para o vômito. Raramente olhamos para o vômito. Abra seus olhos: veja isso. Com suas cores e cheiros indo e vindo, para o nosso puro prazer!”

Um mês antes de morrer, Asher escreveu: “Ainda adoro a beleza das catedrais e do Vaticano. E a própria beleza, o significado de Deus no ensino Católico (em parte). Em grandes igrejas, notei o seguinte fenômeno: a oração (ou a meditação) muitas vezes me faz sentir um calor em minhas mãos e no peito, e me faz lembrar as representações de Jesus e Maria, com luz irradiando das suas mãos e corações. Eu não pretendo sugerir um paralelo, antes desta descoberta, essa energia é um mistério acolhedor e confortante”.

Em seus últimos meses, Asher escreveu um epitáfio para si mesmo. Está escrito:

Fui afortunado de conhecer e amar meus amigos e familiares. Que a paz e a boa vontade prosperem na Terra e em nossos corações.

Michael Lipson e Holly Morse, pais de Asher, moram no oeste de Massachusetts onde Michael atua como psicólogo clínico; e Holly escreve ficção.

Texto original:http://gratefulness.org/grateful_living/asher-gratefulness-org/

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