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Arquétipos: os personagens que habitam em nós

Não se engane: não é tarefa fácil. Pela sua própria natureza, um arquétipo se leva como uma segunda pele, sem a distância necessária para reconhecê-lo como tal. Mas sempre há pistas.


 

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As experiências de vida vão modelando a construção da própria identidade. No entanto, pode acontecer que não paremos em um modelo, apesar das circunstâncias pedirem mudança. “Se perdermos o medo de reescrever nossa vida todas as vezes que for preciso, para alcançar a cada instante a expressão mais profunda e mais autêntica de quem somos”.
Talvez alguma vez fosse necessário ser dócil e complacente; têm crianças que precisam disso como método de sobrevivência. Talvez para outros fosse inteligente esconder o que sentiam sob uma armadura de inalterabilidade. Talvez alguém tinha que se tornar adulto antes do tempo. Ou, o contrário, teve que se entregar a uma inocência forçada dos olhos que não veem, e coração que não sente.
Todas essas opções – esses jeitos de ser que habitam em nós, estes arquétipos – têm sido, sem dúvida, fiéis companheiros da vida. Mas é provável que hoje, como roupas que ficam curtas ou trajes que não nos representam, limitem nossos movimentos e restringem nossa energia. Em algum momento, a inalterabilidade que nos ajudou a chegar inteiros na maturidade se vestiu com uma armadura que rouba alegria de nós. A gentileza que garante o amor materno nos enfraquece novamente, nos deixam incapazes de expressarmos nossos desejos e protegermos nosso espaço. A maioridade prematura é um jogo vital pela vida. A inocência forçada nos impediu de lançar sólidas raízes. Quando isso ocorre, é tempo de rever esses mitos estruturais e descobrir quanto de nós encarnam de verdade.
Não se engane: não é tarefa fácil. Pela sua própria natureza, um arquétipo se leva como uma segunda pele, sem a distância necessária para reconhecê-lo como tal. Mas sempre há pistas. Às vezes são os outros que nos dizem que um comportamento se tornou obsessivo e endurecido, que não serve a nossos melhores interesses, ou, até mesmo, que não parece autêntico, mas herdado de alguma situação antiga, ou aceito como ordem.
Vamos tomar como exemplo o arquétipo muito frequente entre as mulheres (embora de nenhum modo exclusivo delas): aquela ajuda compulsiva, representado no Eneagrama (antigo sistema de classificação de personalidades) pelo tipo 2. Essas pessoas vão pela vida adotando (muitas vezes, em seus vínculos amorosos) “almas necessitadas”, que são especialistas em detectar, e estabelecem assim um vínculo de mútua satisfação: elas fazem por eles (ou por outras “elas”); eles deixam fazer. (Os segundos, com certeza, estarão encarnando na sua vez um arquétipo que é familiar: aquele que os representa como dependentes e incapazes de ocuparem em suas próprias vidas). Como todo mito estrutural, a qualidade essencial que encarna o papel de ajudante é real, legítima e valiosa: dar cuidado, trabalho, ternura e amor, mas também é prerrogativa dos arquétipos “levar” a pessoa a ponto de convertê-la em uma caricatura de si mesma. Então se perde toda a noção de mudança, e a “ajudante” passa a ser uma doadora universal em todo âmbito e circunstância, à custa de suas necessidades, autonomia e às vezes de sua própria saúde.
Outro exemplo (algo mais predominante entre os homens), é aquela pessoa que, por pouco carinho, se constrói uma base de auto-suficiência e impermeabilidade quanto a dor. Esse pode ser um mito altamente funcional durante muitos anos. Mas ligado ao momento de estabelecer um vínculo de pares, por exemplo, desmorona e afunda com cada mudança.
Às vezes o mito estrutural não se edifica tanto em uma forma de ser, mas na adesão a uma instituição, como, por exemplo, o da família e do matrimônio. Se esse marco de contenção foi a direção e objetivo final de toda uma vida, uma crise conjugal ameaçará por um fim, não a uma história de casal, mas a uma própria existência.
Até que as pessoas não consigam reconhecer seus arquétipos pelo que são, eles vivem convencidos de que são assim, apenas como tendo certa altura e determinada cor dos olhos, e que não há nada que possa fazer sobre isso. Claro, que de maneira secreta há sempre vozes de descontentamento que procuram ser ouvidas. Se vocês são ouvidos, o surgimento de um novo mito será suave e gradual; caso contrário, você vai tomar a forma de um motim a bordo.
Dizia Joseph Campbell: “Mitos são certos ou errados; funciona ou não funciona”. O que é o desaparecimento desejável de um mito que já não funciona? Ser englobado e incluído em um novo mito mais coerente com a nova realidade. Mas sempre, primeiro, o velho e o novo mito entram em tensão. Neste caso, o ideal é poder estabelecer um diálogo entre os dois que ajude a gerar uma síntese autêntica.
Neste processo escrito pode ser muito útil: Gravar as experiências, conflitos e tensões que aparecem, convidando as diferentes vozes que habitam a se desdobrar em um diálogo em papel.
Outra maneira de entender o velho mito é ouvindo, prestando atenção especial para declarações de estilo “Eu sou culpado”, “Eu sou incapaz de estabelecer limites”, “Privacidade não é a minha”… Essas expressões nítidas de identidade podem levar a pergunta: Por que sou culpado?” “O que me beneficiou, até agora, a incapacidade de estabelecer limites?” “O que me custou muita privacidade?”
Se incentivarmos você a explorar esses roteiros antigos que vivem em nós, seremos surpreendidos ao descobrir que não são nada mais do que isso: Scripts. A vida é uma longa história que contamos aos outros e outra para nós mesmos. Se perdermos o medo de reescrever tantas vezes for necessário, para atingir, a cada momento, a expressão mais profunda e mais verdadeira do que somos. E isso parece bastante com a liberdade.

Fabiana Fondevila

Original: Arquetipos: los personajes que nos habitan (http://www.viviragradecidos.org/arquetipos-los-personajes-que-nos-habitan/)

  • resposta Lettie ,

    Well, my kids were definitely my wishes come true!!! Thr1y#82&7;ee the best part of my life!! Another wish was that I could stay home with them and spend more time with them… a couple of years ago that wish came true when I was able to quit my “day job” to stay home with them full time to be a work-at-home mom!!

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